agosto 10, 2017

Visão do tinhoso

Na mesma época quando eu havia adquirido imagens iluminadas de anjos da guarda, cujo acidente com uma vela queimou todos eles, eu parecia estar vivendo uma vida surreal, que não a minha. Sentia-me perdida e até mentia para disfarçar meus temores.
Meu casamento não andava bem, havia traição e desgaste. Nada que fizéssemos parecia bastar. Afastei-me dos amigos e parentes, todos me incomodavam.
Neste processo estranho de reconhecimento, de uma nova mulher que surgia, algo ainda pior aconteceu. Numa noite, após eu ter me deitado depois que todos já estavam dormindo, eu não conseguia entrar em sono profundo, parte de mim mantinha-se desperta, muito acordada, mas num fechar de olhos vi nitidamente uma forma parecida com um homem em forma de diabo. Ele estava deitado em cima de mim, tentando me possuir.
Gritei assustada e meu marido me acudiu. Graças a ajuda dele, que acreditava ter sido um sonho meu, fui me refazendo. Não tinha sido um pesadelo, eu sabia que ainda nem tinha adormecido. Chorei muito e custei para entender o ocorrido. Somente tempos depois é que juntei as pontas de toda a história e percebi que aquilo era resultado da situação pecadora na qual eu vivia e talvez tivesse construído uma imagem como aquela para eu própria me castigar. Me sentia culpada demais, embora não soubesse como evitar tudo o que acontecia.
Todos nós temos demônios pessoais, melhor não invoca-los.